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bordado ponto-cruz da glória do ribatejo

 

“A confecção de todos estes objectos é perfeita,
admirável de acabamento, se atendermos às mãos que as executam,
calejadas por todos os serviços das fainas do campo”
Alves Redol,  Glória, uma aldeia do Ribatejo
 

"É aqui que se manifesta o espírito criativo da mulher e a sua sensibilidade ao belo. Em tudo a gloriana põe um toque de arte, desde as cortinas “artisticamente” bordadas com que decora a casa até às peças de vestuário. É ela que, nos momentos livres da sua vida de canseiras, confecciona tudo.

Na fala da Glória do Ribatejo, bordar diz-se “marcar”. Os pontos empregados são sobretudo o ponto de cruz, antigamente feito sem preceito, “pontos de baínha” e num determinado período, o “ponto de arrecuo” (ponto pé de flor). Mas a originalidade dos trabalhos reside fundamentalmente nos motivos que escolhe e nas aplicações que dele faz.          

Nas habitações tradicionais, todas elas sem excepção tinham um pessoal com bordados a pontoo de cruz, nas várias divisões da casa podíamos observar as “cortinas” dos bancos, das cadeiras, das “quartas”, das portas, da mesa, do espelho, da mala, da arca entre outros.

Os motivos tradicionais eram principalmente “o pinto”, a “coroa dos corações”, as letras (“empena”, “florida”, “dobrada”, “com custódios” , “miudinha” e a de “cinco pontos”), ramos de flores e cercaduras.

Mas o ponto de cruz não surgia apenas nas roupas de casa, algumas peças de vestuário eram também ricamente ornamentadas com ele: aventais, cintas, lenços, bibes, toucas, bolsas, “talegos” entre outros.

Aplicação muito curiosa é o que faziam em vários objectos, “marcando”  sobre pano com lãs de cores variadas “carteiras”, “pataqueiras”, “charteiras”, “bolsas de relógio” e “bolsas de dinheiro”.. Entre estes objectos tradicionais situa-se também a “bolsa da madrinha da Páscoa”, ligada a uma tradição: juntamente com as amêndoas, a madrinha oferecia uma bolsa à afilhada que esta colocava ao peito.

Posteriormente a gloriana começou a aplicar a mesma técnica a outros objectos. Assim, na década de setenta, surgem malas, sacos, cintos, porta-lápis entre outros. Agora a sua atenção volta-se para  os lençóis , as toalhas de mesa, os “taleigos” do pão, as almofadas e os quadros.

 
Na costura os materiais de compra que utiliza para enfeitar são: rendas, passa-fita, galão, gaião e grega, tudo mais é feito por si próprio e é ai que reside grande parte da sua criatividade. São os  “lacinhos”, os “pauzinhos”, os “nózinhos”, as “passarinhas”, as “casinhas”, as “carranquinhas”, os “bicos de trapo”, os favos de mel, enfim um nunca acabar de elementos decorativos cheios de imaginação e feitos com notável perfeição. Com fitas consegue efeitos maravilhosos utilizando-as em canudo, pregas ou “bolinhas”.

No trajo das crianças salientam-se os vestidos, as toucas e os bibes. Anos atrás, as toucas eram constituídas por duas peças: “touca de baixo”, feita de pano branco e com o folho do mesmo tecido, e a “touca de cima”, feita de outro tecido que podia ser seda, “gorgorina”, etc., mas com o folho de pano branco, igual ao da “touca de baixo”. Posteriormente, estas duas peças tornaram-se numa só: a touca passou a ser forrada e com dois folhos “pregados” na mesma peça. A “touca de nascença” era a única que não tinha folhos, característica que a distinguia das demais.

Os folhos podiam ser “encasalados”, “engomados” ou “de fitas”, o que determinava o nome porque era conhecida a touca.

As “toucas engomadas” eram usadas nos dias de festas, natal, baptizados, etc. As “toucas de fitas”, que são mais recentes, pois só apareceram há cerca de 40 anos, eram também usadas em ocasiões festivas.

Os folhos que anteriormente eram só “abertos” passaram há cerca de 40 anos a ser “encasalados”, cuidadosamente trabalhados pelos dedos da mulher gloriana, de maneira a torná-los ainda mais perfeitos. Estas “toucas encasaladas” eram usadas no dia a dia. Há cerca de 25 anos apareceu a “touca de folhos de renda”.


O babete formava quase sempre conjunto com a touca. Era feito do mesmo tecido e tinha os mesmos enfeites: ponto de cruz, rendas e fitas.
 

Uma outra utilidade em que o bordados a ponto de cruz estão presente, era o ritual do namoro, quando começavam a namorar a rapariga tinha por hábito oferecer ao rapaz um lenço de namorado, onde estavam presente vários motivos decorativos e as iniciais dos seus nomes, o rapaz por sua oferecia-lhe uma navalha, esta oferta representa o pão que se há-de cortar em comum no lar que ambos sonham.

Como se pode observar esta arte, esteve presente durante décadas no quotidiano da Glória do Ribatejo, hoje em dia apenas as pessoas mais idosas é que bordam, é objectivo da Associação para a Defesa do Património Etnográfico e Cultural de Glória do Ribatejo, evitar que esta arte desapareça, assim através de vários programas e apoios a ADPEC, conseguem manter no Museu Etnográfico vários jovens que vão gastando o seu tempo a bordar ponto cruz, evitando que esta arte secular se perca."



Texto escrito pela Associação para a Defesa do Património Etnográfico e Cultural de Glória do Ribatejo extraído na integra do site adpecgloriaribatejo.no.sapo.pt


 

 

 

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